MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2012

Aleatoriedades

14 de maio de 2012

A resignação essencial.

14 de maio de 2012

Existir é complicado. Agora existir e viver é quase impossível. O mundo está acabando com os esconderijos sentimentais e a internet veio para arreganhar o imediatismo social. A própria vida está por um fio: viver a vida dos outros em redes sociais é mais bacaninha e se torna um placebo para amainar o fato de que a sua vida indelevelmente é um saco.

Talvez esse seja o motivo pelo qual eu abandono tudo. Esse abandono é o pior de todos: ignorado aos poucos e deixado de lado sem ser percebido. Não tenho tempo para cinema, livro ou tv. Aliás eu gostaria de comprar uma tv para assistir umas novelas ou aqueles programas de policiais que perseguem imigrantes ilegais. Ou ler o Julio Verne em inglês que está juntando um poeirão danado no criado mudo. Mas o resultado dessa abstinência letárgica toda é que sou obrigado a viver e existir o tempo todo, sempre olhando para o que a realidade quer me apresentar. E isso cansa pra caralho, porque é um seriado enlatado em que a atuação consegue ser mais enfadonha do que ler alguma peça de Shakespeare achando que vai encontrar uma narrativa legalzinha. Aliás, seriados são coisas perigosas: morrem sempre na season eight, vai vendo.

Eu sou previsível demais. Não tenho paciência para jogar Xadrez. Cinco minutos de estratégias e eu já estou tão de saco cheio que começo a mandar um-a-um todo o elenco para um ataque suicida em cima do casal real. É derrota na certa e eu sei disso. Imediatismo virtual, novamente. Escuto vozes e as ignoro. Aliás, escuto vozes, converso com elas e passo horas a fio tentando entender o que elas dizem. No final das contas nem meus próprios pensamentos são entendíveis.

Moro em uma cidade que vive e existe o tempo todo, sem cessar. Tropeço em novidades sem saber, conheço a história sem querer. Encontro gente famosa o dia inteiro e meu chefe é uma estrelinha do show biz mundial. Consigo identificar sotaques e idiomas que jamais imaginaria outrora. Sou um insider de algo que nem tenho idéia do que seja. Vivo uma vida que está trancada e nunca ao certo descobri a fechadura; ou pior, nem a chave tenho para o dia que descobrir onde essa fechadura se esconde.

Este blog virou um reflexo transparente dos meus anseios vazios. Existe porque tem uma armação fajuta de poucos pixels. Não morreu ainda porque nem vida tem para que eu pudesse matar a gosto e com espadilha forjada. A tristeza de se revelar assim é a escusa de que nada, ao certo, tem razão proposital. Não gosto mais de fotografias nem de inventar histórias estapafúrdias. Contos são invencionices que se esgotaram em minhas idéias e poesias continuam tendo conotação de fuga para escritor vagabundo. Ilustrações são para ilustradores que têm linhas constantes e criativas, já saltei dessa há tempos.

Não me resta mais nada a fazer, além de espreitar o horizonte. Nunca imaginaria que criatividade pudesse ter prazo de validade ou pior: validade por uso excessivo.

Assim o que resta é viver a vida dos outros. Vidas constantes, sem eufemismos e tão rasas quanto a minha. Mascaradas com uma artificialidade tão sensata que eu juro que seria verdade absoluta se não conhecesse o podrinho por trás daqueles dentões branqueados das fotos.

Existir e viver a vida dos outros por aí é uma arte e é o segredo de ser feliz. Eu sou o sociopata da minha própria vida. E ainda não posso fazer nada para amainar isso.

MadCapTiras

7 de abril de 2012

Essa é a primeira (e muito provavelmente única) tirinha que eu fiz. Não tenho as manhas de pensar em punchlines de 3 quadras, nem desenhar. Mas o Garfolino estava me perturbando há tempos na cabeça:

Front manda lembranças

25 de março de 2012

A vida anda meio perturbada: migrei novamente, mas desta vez para a terra da liberdade e do sonho desmedido: Estados Unidos da América. As coisas não estavam andando muito bem e uma solução prática foi debandar para o Vale do Silício e se sentir mais em casa do que nunca.

Ah, a migração foi do Madcap.com.br.

Nada melhor para este site do que um backbone mais internacionalizático. Velocidade em centenas de megabits, amiguinhos nas centenas de baias do datacenter, enfim.

Backup de milhares de pequenos arquivos, backup de banco de dados, o total esquecimento das contas de email do povo pendurado nas ondas do @madcap.com.br, instalação nova e um monte de problema velho. Acho que agora tudo está nos conformes.

Só não posto mais aqui com mais freqüência porque muita coisa mudou nesse meio tempo e eu tenho que adaptar as vistas para a claridez dos novos conceitos.

E assim vamos arrastando a barrigada de jacaré por este terreno pedregoso e pontudo que é a vida.

Confianzas

4 de março de 2012

se sienta a la mesa y escribe
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice

y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán

no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos

ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera a la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos

«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
se sienta a la mesa y escribe

Publicidade: 1900-1910 | Estereógrapho

12 de fevereiro de 2012

1903 - Estereógrapho | Publicado no Almanach Laemmert (RJ)

Publicado no Almanach Laemmert – 1903
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Publicidade: 1900-1910 | Companhia de Economia e Seguros

10 de fevereiro de 2012

12-06-1902 - Companhia de Economia e Seguros | Publicado na Revista O Malho (RJ)

Publicado na revista O Malho (RJ) – 06/12/1902
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Publicidade: 1900-1910 | Chapelaria Colosso

9 de fevereiro de 2012

27-12-1902 - Chapelaria Colosso | Publicado na revista O Malho (RJ)

Publicado na revista O Malho (RJ) – 27/12/1902
(Clique na imagem para ampliar)

O dia depois de amanhã nevado.

7 de fevereiro de 2012

Dizem que a tradição inglesa é de nevar um dia por inverno. Ano passado foi o cão-babão e esse ano já vi 3 neves aqui nas redondezas. Tomara que continue desse jeito.

Aliás, a inglesada pode reclamar o que for, mas eles curtem a neve. Eu estava na janela, só matutando uma foto e como ela ficaria interessante com a perspectiva perpendicular, quando passou dois camaradas jogando bolas de neve um no outro.

Todo mundo na rua começou a aprontar! Não pensei duas vezes, saquei uma meia duzia de pilhas recarregáveis velhas, minha câmera caolha (ia ser melhor que celular que seria melhor que nada) e lá fui eu pisar no gelão. A primeira foto foi a mais fenomenal: a do Porsche embaixo da luz de mercúrio. A meta estava cumprida então saí despreocupado pela região. Deu essas fotos despretensiosas abaixo, com muita neve e flocos impressionantes.

E aquela frase de que lá fora tudo fica mais silencioso e melancólico quando neva é verdade. O silêncio existe e é explicado por física. A melancolia vem do preto-e-branco transformado.

Meu Facebook e Twitter lotou com fotos, mensagens e gente feliz da vida. A maioria ingleses exaltados com mais uma nevada. Agora a vergonha alheia foi a brasileirada que se acham os insiders e, como bons grumpies da cornuália, lá foram reclamar que a neve parava Londres. Ah vá! todo mundo sabe que a neve pára Londres justamente para você ir lá fora esfriar os cornos.


Pé-de-cão.

Pinheiro no descongela.

Toco no esquema

Grafismo no barco residência.

Convés e cordas na geadinha.

Uma 110 legal, com um rack ridículo e uma barraca de teto australiana.

Seguindo o pato pelo rastro.

A mão que fotografa é a mesma que esmaga.

Pond congelado, mato vermelho de frio e uma rachadura estranha.

Toco de amarrar bóte. Tâmisa ali, marronzento.

Dois gaviões arrancadores-de-olhos-de-peixes.

Passaraiada louca da vida.

O feltro tava caindo.

O banco do homem-sem-costas.

Todo mundo tem cenoura em casa, pelo visto.

O boneco de neve anão. Branco. Branco de neve, o boneco. Coisa assim.

Aham, aquela marca de sabonete meio estranha.

A tal da foto que falei ali em cima.

Bicicletas no relento.

Açúcar de confeiteiro.

Cockpit da hayabusa.

18 segundos de semáforo em f/11.

Trem, carros, calçada, cano, neve, light blur, dof de flocos de neve na lente, estrelinha do f/alto. E ficou legal.

Ele mesmo, o espelho dos cento e oitenta graus.

Roda de bicicleta jogada no mato.

Uma Evoke, gelada.

E um video meio timelapse mas que ficou diferente. Não é HD pois é feito com câmera vintage pré-modernista:

Publicidade: 1900-1910 | Alma e Coração

6 de fevereiro de 2012

31-08-1902 - Alma e Coração | Publicado no Jornal O Trabalho (PA)

Publicado no jornal O Trabalho – 31/08/1902
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