Das caminhadas leves à orla mansa, o livrólogo consegue capturar nas retinas, que suplicam óculos de grau, uma vastidão de tonalidades amarelas-azuladas de um pôr-de-sol preguiçoso. Todo pôr-de-sol exala a preguiça de um vascolejo estelar. Bem coisa astrônomica. Dessas estrelas tímidas o mundo o lembra, livreiro, da mulher que o espera pertinaz: a beleza de seus olhos refletem luzes e sentimentos. Não queria se gabar do momento, mas era não-lógico obstinar algumas linhas sobre a reflexão não-linear de sentimentalidades que os brilhosos olhos negros de diva o refletiam.
Ah livreiro! Esta era a sua amabilidade inconformada: comparar as vivências casuais com as confrontas sentimentalidades que de sua pretendente o sorriam dia inteiro. A paz da maré? Hum… deixa-me ver: cara de anjo ao acordar! O ar de inverno que enevôa a orla? Facil: perfume natural que do lado do seu colo é de perfeito sentido.
E tudo isso — o livreiro a conhecia como o mundo — era a visão exata do efêmero momento em que tudo se é tido, um momento intrinseco entre o tudo e nada, emplacado de tonalidades de tempo e sentimento, névoas e brumas, o certo e o beijo.
A saudade desse momento é tida como extinta. Os momentos se encaixam em posterioridades que ainda o livreiro ousa prever, como menino serelepe de imaginação incontida. Sim, vôos de braços abertos em proas de navios. Pescar com as mãos aqueles polvos grudentos, quem não faria isso?
Mas é o pôr-do-sol que o livreiro fita em uma orla esmairecida por calmaria inconstante. O sol se acaba em uma montanha de lívidas paineras que filtram a entristecida claridão amarela. Há no ar a melancolidade do encontro das entrelas e lunas e tudo mais que a noite o reserva, não tenha dúvidas. Silêncio do dia e alvoroço da noite, Calar de sol, diria o gajo do bigode-de-arame.
E o livreiro pensa um pouquinho mais, agora nem é orla nem sentimentos, apenas alma e coração. Sentimentos, inquietações de certezas e medos incertos. Ainda reluta em acreditar, mas comove-se ao saber da certeza venal de seus sonhos. A mulhe, que o espera na ternura de um aconchego substancial o é sonho, entende como?
Das certezas, e isso o acostumou em prosas deliciosas, presenteado foi de uma mulher perfeita. Existe felicidade maior? E é toda a presença de um Deus verdadeiro que o povoou de alegria que se transborda essa inquietação explicita de surtos alegrísticos de emoções que o incendeiam o coração.
E lá vai o livreiro assoviando um minueto qualquer, provavelmente Bach. E a rua o acolhe prazenteira.

